

A Síndrome do Trato Iliotibial (STIT), comumente chamada de “joelho de corredor”, é uma das principais causas de dor na parte lateral do joelho em atletas, especialmente corredores, ciclistas e aqueles que praticam esportes que envolvem movimentos repetitivos de flexão e extensão do joelho. Ela ocorre devido à inflamação do trato iliotibial, uma densa faixa de tecido fibroso que se estende da lateral do quadril até a tíbia (osso da canela).
A dor surge porque, durante o movimento de flexão e extensão do joelho, o trato iliotibial fricciona-se excessivamente contra uma proeminência óssea na parte lateral do fêmur (o epicôndilo lateral). Esse atrito constante, somado a fatores de risco, leva à irritação e inflamação do trato iliotibial e da bursa local, resultando na síndrome.
Os sintomas são muito característicos: o paciente sente uma dor aguda ou em queimação na parte externa do joelho, geralmente 2 a 3 centímetros acima da linha articular. A dor costuma iniciar-se após um determinado tempo ou distância de corrida/ciclismo e piora ao subir ou descer escadas, ou ao caminhar em ladeiras. O repouso alivia a dor, mas ela retorna com a atividade.
O diagnóstico da Síndrome do Trato Iliotibial é clínico e feito pelo ortopedista. Durante o exame físico, o médico palpará a região lateral do joelho, que estará sensível. Testes específicos, como o Teste de Ober (para avaliar a tensão do trato iliotibial) e a reprodução da dor com movimentos do joelho, auxiliam na confirmação. Exames de imagem como a ressonância magnética podem ser úteis para descartar outras condições e avaliar o grau de inflamação.
O tratamento inicial e mais eficaz é conservador, com foco no controle da dor e na correção das disfunções biomecânicas. Isso inclui repouso das atividades que provocam dor, aplicação de gelo e, em alguns casos, o uso de medicamentos anti-inflamatórios. A identificação de erros de treinamento, como o aumento excessivo de volume ou intensidade, é fundamental.
A fisioterapia é a principal ferramenta para a recuperação e prevenção. O programa de reabilitação visa alongar o trato iliotibial e fortalecer os músculos do quadril, especialmente os abdutores e rotadores externos (como os glúteos). Isso ajuda a estabilizar o joelho e o quadril, reduzindo a tensão sobre a banda iliotibial e permitindo que o joelho deslize sem atrito.
Em casos persistentes, onde o tratamento conservador falhou, pode-se considerar a infiltração de corticosteroides na bursa inflamada para aliviar a inflamação local. A cirurgia, que envolve a liberação parcial do trato iliotibial, é raramente necessária e reservada para casos extremamente refratários, sendo a reabilitação um sucesso na grande maioria dos pacientes.
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