

A fratura do escafóide é a fratura mais comum entre os ossos do carpo (o conjunto de oito pequenos ossos que formam o punho). O escafóide está localizado na base do polegar, em uma região conhecida como “tabaqueira anatômica”. A lesão ocorre frequentemente após uma queda com a mão espalmada, onde o impacto é transmitido diretamente para esse osso, causando sua quebra.
O que torna essa fratura particularmente perigosa é a anatomia única da irrigação sanguínea do escafóide. O sangue que nutre o osso entra por uma extremidade e flui para a outra. Uma fratura na “cintura” do osso pode interromper esse fluxo, levando a um risco elevado de necrose avascular (morte do tecido ósseo por falta de sangue) ou de não união da fratura, complicações que podem resultar em artrose precoce e perda permanente da função do punho.
Os sintomas podem ser sutis e facilmente confundidos com um simples entorse de punho. O paciente geralmente sente dor e sensibilidade na região da tabaqueira anatômica (a depressão que se forma na base do polegar ao estendê-lo), além de inchaço e dificuldade para movimentar o punho ou segurar objetos. A ausência de uma deformidade evidente muitas vezes atrasa a busca por ajuda médica.
O diagnóstico correto é fundamental e começa com o exame clínico do ortopedista, que palpará a região específica. Exames de imagem são indispensáveis. O Raio-X deve ser feito em incidências especiais para visualizar o escafóide, pois fraturas sem desvio podem não aparecer nas radiografias iniciais. Em casos de suspeita clínica forte com Raio-X normal, a Tomografia Computadorizada (TC) ou a Ressonância Magnética (RM) são solicitadas para confirmar a lesão.
O tratamento depende do tipo e da localização da fratura. Para fraturas estáveis e sem desvio, o tratamento conservador é o mais indicado, consistindo na imobilização do punho e do polegar com gesso por um período prolongado, que pode variar de 6 a 12 semanas, ou até mais, devido à lenta consolidação óssea nessa região.
Para fraturas desviadas, instáveis, ou que ocorrem em atletas e trabalhadores que necessitam de um retorno mais rápido às atividades, o tratamento cirúrgico é a melhor opção. O procedimento envolve a fixação da fratura com um pequeno parafuso de compressão, que é inserido através de uma incisão mínima na pele. Isso garante a estabilidade necessária para a cicatrização e permite uma reabilitação mais precoce.
Portanto, a principal mensagem é: não ignore uma dor persistente no punho após uma queda, mesmo que o Raio-X inicial pareça normal. A fratura do escafóide é uma lesão “traiçoeira” que exige a avaliação de um ortopedista especialista em mão para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado, evitando complicações que podem comprometer a saúde do seu punho a longo prazo.
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